Oi amigo

29 de outubro de 2012

Parte 3 - Filmes sobre a ditadura

"Topografia de um desnudo" é um filme que resgata um fato histórico conhecido como 'operação mata-mendigos', ocorrido no Rio de Janeiro na década de 1960. Durante meses, corpos de mendigos - com sinais de tortura - foram encontrados nos rios Guandú e da Guarda. Apesar da repercussão, o episódio caiu no esquecimento. Pesquisadores, no entanto, acreditam que esse tenha sido 'ante sala' do Golpe de 1964, no qual mendigos serviriam de cobaia para técnicas de tortura que seriam posteriormente empregadas em presos políticos. Baseado no romance do chileno Jorge Diaz.

Parte 2 - Filmes sobre a ditadura

"Cabra-Cega" é um filme de Toni Venturi. A trama principal trata da relação limite de Tiago e Rosa, dois jovens militantes da luta armada, que vivem o sonho do projeto revolucionário. Alojados num bairro tradicional de São Paulo, no belo apartamento do arquiteto Pedro, um simpatizante da causa, eles vão perdendo a razão com os acontecimentos vertiginosos e incontroláveis daqueles tempos. O pano de fundo é um Brasil amordaçado e sem liberdades democráticas. Tiago (Leonardo Medeiros), o comandante de um "grupo de ação" de uma das organizações da ultra-esquerda brasileira, ferido à bala em uma emboscada da polícia, é obrigado a se esconder na casa de Pedro (Michel Bercovitch). Estamos em setembro de 1971, a organização está debilitada e discute o abandono da estratégia armada. O projeto de derrubar a ditadura pela violência fracassou completamente. Rosa (Débora Duboc), uma militante de base e filha de operário, é o contato de Tiago com o mundo, a vida, a fantasia. É também sua enfermeira. Mateus (Jonas Bloch), o dirigente da organização, trabalha incansavelmente para salvar o que restou dos seus quadros. Pedro começa a temer pela sua segurança e passa a ter um comportamento ambíguo. Tiago cria suspeitas de que ele é um traidor. A situação externa vai se deteriorando: a morte de Lamarca, os arrependidos, o avanço contínuo da repressão. Tiago e Rosa se entregam a uma paixão urgente.

Parte 1 - Filmes sobre a ditadura

"Eles não usam black-tie" foi considerado um dos melhores e mais importantes filmes da cinematografia nacional e conta, com qualidade, uma época da história do Brasil. Mais do que falar apenas da classe operária e dificuldades do povo, o filme traz uma reflexão sobre o nosso papel na vida. Coloca em conflito duas atitudes, uma da maioria da população, a passividade e a lei da vantagem que muitos gostam de exaltar, em contrapartida por pessoas que lutam pelos direitos básicos, pautam suas vidas por um ideal nobre, enxergando a importância da consciência social. A história se passa em 1980, filho de líder sindical não quer se envolver em uma greve, por causa de sua mulher, desconsiderando assim a tradição de seu pai de ativismo político. O pai é combatente do regime militar. Brilhante obra do cineasta Leon Hirszman, baseado em livro e peça de teatro de Gianfrancesco Guarnieri, consagrado artista nacional.
 
Governo João Goulart (1961 - 1964)

O Fracasso do nacionalismo reformista 

João Goulart tomou posse da presidência em 7 de setembro de 1961. A chefia de governo (poder executivo), no entanto, coube a Tancredo Neves, político do PSD mineiro, empossado como primeiro-ministro no mesmo dia, de acordo com o sistema parlamentarista. Mas esse sistema não duraria mais que 14 meses.

A emenda constitucional que tinha estabelecido o parlamentarismo previa que a adoção desse sistema de governo deveria ser referendada por um plebiscito. Realizado em 6 de Janeiro de 1963, o plebiscito reuniu votos de mais de 12 milhões de cidadãos. Destes quase 10 milhões manisfestaram-se contra o parlamentarismo, votando pelo restabelecimento do presidencialismo.

Plano Trienal

O governo de João Goulart iniciou-se num período de graves problemas econômicos e sociais no país, e com uma inflação que não foi suficientemente controlada. Sua estratégia socioeconômica foi formalizada em 1962, por meio do Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, organizado por Celso Furtado, economista que ocupava o cargo de ministro do Planejamento.

O Plano Trienal tinha como objetivos fundamentais:

  • promover melhor distribuição das riquezas nacionais, desapropriando os latifúndios improdutivos para defender interesses sociais;
  • encampar as refinarias particulares de petróleo;
  • reduzir a dívida externa brasileira;
  • diminuir a inflação e manter o crescimento econômico sem sacrificar exclusivamente os trabalhadores.
Mas a inflação e o custo de vida não paravam de subir. As despesas com as importações aumentavam, e caíam os preços da exportações. Também diminuía o ritmo de crescimento da indústria, e os grandes empresários nacionais e estrangeiros reduziam os investimentos na produção, numa demonstração de desconfiança em relação às intenções políticas de Jango.

Polarização da sociedade

O período do governo Goulart foi marcado, desde o início, pela mobilização social e política de diversos setores da sociedade brasileira. Com o tempo, esses movimentos e associações foram levando a uma radicalização das posições e das ações e à polarização social.

De um lado, estavam movimentos que traziam reivindicações populares e pregavam transformações que, segundo eles, visavam a uma sociedade mais justa e igualitária. Eram mobilizações de:
  • Estudantes: ligados a União Nacional dos Estudantes (UNE) e à  Juventude Universitária Católica (JUC);
  • Operários: ligados à Central Geral dos Trabalhadores (CGT);
  • Camponeses: ligados às Ligas Camponesas, que se difundiam principalmente pelo Nordeste.
Reformas de base

Chegando a 1964, O Plano Trienal fracassara, e as tensões sociais aumentavam no país. Então, em 13 de março de 1964, João Goulart, falou a mais de 300 mil pessoas num comício em frente à estação Central do Brasil (área de grande afluência popular no centro do Rio de Janeiro). Expôs as dificuldades do país e a necessidade de realizar um conjunto de reformas, que seriam adotadas pelo seu governo.

Eram as chamadas reformas de base, que acirraram ainda mais os ânimos das elites dominantes e contrariaram os interesses estrangeiros. Entre elas, estavam: 
  • Reforma agrária: para facilitar o acesso à terra de milhões de lavradores que desejavam trabalhar e produzir no campo. Com melhores condições de vida e de trabalho, o morador do campo permaneceria em seu local de origem e não se dirigiria para as grandes cidades em busca de emprego;
  • Reforma educacional: para aumentar o número de escolas públicas, matricular todas as crianças brasileiras e combater o analfabetismo;
  • Reforma eleitoral: para dar ao analfabeto o direito de votar nas eleições e participar da vida política;
  • Reforma tributária: para corrigir as desigualdades sociais na distribuição dos deveres entre ricos e pobres, patrões e empregados.
Reações às reformas

Alguns setores populares favoráveis ao governo passaram a fazer manifestações em apoio às reformas de base. Paralelamente, as oposições organizaram seus protestos, como a Marcha da Família com Deus pela liberdade - série de passeatas de senhoras católicas, autoridades civis, empresários e parte da classe média. A primeira marcha ocorreu em São Paulo no dia 19 de março.

A agitação política e social intensificou-se no país. Grupos de esquerda e de direita radicalizavam suas posições. Em Brasília, 600 sargentos dos exército e da Aeronáutica ocuparam a tiros suas guarnições, para exigir o direito de voto. A rebelião dos sargentos foi controlada, mas os oficiais militares se assustaram com a indisciplina da tropa e responsabilizaram o governo pelo ''clima de desordem''.

Golpe militar

Em 31 de Março de 1964, explodiu a rebelião das Forças Armadas contra o governo João Goulart. O movimento militar teve início em Minas Gerais, apoiado pelo governador mineiro Magalhães Pinto. Rapidamente, os golpistas contaram com a adesão de unidades militares de São Paulo, do Rio Grande do Sul, e do antigo estado da Guanabara (criado em lugar do Distrito Federal, situado na cidade do Rio de Janeiro até a transferência da capital federal para Brasília, em 1960).

Sem condições de resistir ao golpe militar, o presidente João Goulart deixou Brasília em 1° de Abril de 1964. Passou pelo Rio Grande do Sul e, em seguida foi para o Uruguai como exilado político. Era o começo do período de governos militares.

Ruptura com o regime democrático

Logo após a deposição do presidente João Goulart, em 2 de Abril de 1964, Ranieri Mazzilli - que ainda era o presidente da Câmara dos Deputados - assumiu pela segunda vez, de maneira interina, a presidência da República. No entanto, o controle político do país ficou sob a direção geral das Forças Armadas.

Cada uma de suas corporações (Exército, Marinha e Aeronáutica), no mesmo dia 2 de Abril, indicou um representante, e formou-se o comando militar que conduziria o país durante duas semanas - era o autodenominado Comando Supremo da Revolução. Segundo os novos comandantes do país, a intervenção militar seria de caráter provisório, tendo como principais finalidades:
  • Restabelecer a ordem social;
  • Conter o avanço do comunismo e da corrupção;
  • Retomar o crescimento econômico.
Mas não foi provisória a supressão da legalidade democrática. Durante 21 anos, a sociedade brasileira viveu sob o comando de presidentes militares impostos pelas Forças Armadas. Até 1985, dois marechais e três generais se sucederiam na presidência da República: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.